o pequeno motim: por que o tempo lento?

a sentimento agora é feita de janela e quintal, mantendo nossa proposta de proteger a ferramenta mais revolucionária que temos: nosso tempo. entendemos que a vida é um caos, e a leitura é o nosso pequeno motim.

escolhi o tempo lento para inaugurar nossa primeira janela porque ele é o tom da casa. retomar o controle do seu próprio relógio, usar o tempo com intenções diversas e não ceder ao ritmo forçado da engrenagem. é um exercício de soberania que a gente precisa revisitar sempre, como quem afia uma faca para não deixar o corte da vida ficar cego.

a nossa contracultura

ler com presença hoje é o nosso ato de desobediência. em um mundo que exige que a gente seja "útil" o tempo todo, sentar para ler um livro "inútil" é uma grande e bela afronta.

é a contracultura do nosso tempo: trocar o desespero da eficiência pelo fôlego profundo de quem sabe que tempo não é dinheiro, é o tecido da vida.

aqui no nosso balcão, a gente não acredita em leitura como "meta" ou "produtividade". acreditamos na leitura como quem prepara um café domingo de manhã: sem pressa.

o que você vai encontrar nessa janela?

neste mês, nossa curadoria investiga como o território, a imagem e a subjetividade são afetados por essa correria desenfreada. de Silvia Rivera Cusicanqui a Jean Genet, os autores que escolhemos são mestres em criar fendas no sistema. eles nos ensinam que o desajuste pode ser um lugar de potência e que a beleza, muitas vezes, mora justamente naquilo que o mundo tenta acelerar ou esconder.

ao invés de correr, vamos puxar a cadeira, pegar uma cervejinha (ou um café) e abrir um livro.

o motim começa agora.